segunda-feira, 31 de maio de 2010

“A Conquista da Felicidade”, parte 1.4 (O Aborrecimento e a Agitação)


“O aborrecimento, como factor da conduta humana, tem sido, na minha opinião, menos estudado do que merece. Suponho no entanto que ele foi sempre uma das grandes forças motoras da história do mundo e presentemente mais do que nunca. O aborrecimento parece ser uma emoção caracteristicamente humana.”

“Uma das características essenciais do aborrecimento consiste no contraste entre as circunstâncias presentes e outras mais agradáveis que exercem uma força irresistível sobre a imaginação.”

“O aborrecimento é essencialmente um desejo frustrado de aventuras, não necessariamente agradáveis, mas pelo menos de incidentes que permitam à vítima do tédio distinguir um dia dos outros dias. O oposto do aborrecimento é, numa palavras, não o prazer, mas sim a agitação.
O desejo de agitação está muito arreigado nos seres humanos, em especial nos homens. Suponho que na idade da caça tal desejo era satisfeito mais facilmente do que em qualquer época posterior. Tanto a caça, como a guerra, como o amor eram apaixonantes. Um selvagem, se queria praticar o adultério com uma mulher, tinha de o fazer enquanto o marido dormia junto dela, sabendo que isso significava para ele a morte se o marido entretanto acordasse.”

“Nós hoje aborrecemo-nos menos do que se aborreceram os nossos antepassados, no entanto temos mais medo do aborrecimento. Acabámos por saber, ou melhor, por acreditar que o tédio não faz parte do destino natural do homem, e que pode ser evitado se procurarmos as emoções com energia suficiente.”

“À medida que subimos na escala social as exigências de emoções tornam-se ainda mais intensas. Os que podem permitir-se esse luxo estão sempre em movimento, de lugar em lugar, e para onde vão levam consigo a alegria, agora dançando, logo bebendo, mas por qualquer razão desconhecida esperando sempre gozar ainda mais em qualquer outro sítio. Os que precisam de ganhar a vida habituam-se à sua quota-parte de aborrecimento e de obrigações durante as horas de trabalho, mas os que têm bastante dinheiro para viver sem trabalhar criam o ideal de uma vida completamente liberta de tédio. O ideal é nobre e longe de mim a ideia de desacreditar, mas receio que, como outros ideais, seja mais difícil de realizar do que os idealistas supõem. Em primeiro lugar, as manhãs são tanto mais aborrecidas quanto a noite anterior foi mais divertida. Haverá também a meia-idade e possivelmente a velhice. Aos vinte anos os homens pensam que a vida acaba aos trinta.”

“Um pouco de aborrecimento talvez seja até indispensável à vida. O desejo de o evitar, no entanto, é absolutamente natural e todas as raças humanas o manifestam sempre que a oportunidade se apresenta.”

“O aborrecimento, no entanto, não deve ser olhado como totalmente nocivo. Podemos mesmo distinguir nele duas espécies: uma fecunda e outra embrutecedora. A primeira resulta da ausência de narcóticos e a segunda da ausência de actividades vitais. Não quero dizer com isto que os narcóticos não possam por vezes ser até benéficos.”

“Uma vida demasiado repleta de agitação é uma vida esgotante que continuamente exige estimulantes mais fortes para provocar as emoções que acabam por ser consideradas parte essencial do prazer.”

Certa capacidade para suportar o aborrecimento é pois essencial a uma vida feliz e isso era uma das coisas que deviam ser ensinadas aos jovens.”

“Nenhuma grande obra é possível sem trabalho persistente, tão absorvente e tão penoso, que poucas energias deixa para os divertimentos mais esgotantes, a não ser os que servem, durante as férias, para recuperar a energia física e dos quais o alpinismo é o melhor exemplo.”

“A excitação é da mesma natureza dos narcóticos que cada vez se tornam mais exigentes, e a passividade física durante a excitação é contrária ao instinto.”

Por todas estas razões, uma geração incapaz de suportar o aborrecimento será uma geração de homens medíocres, de homens que se divorciaram indevidamente do lento progresso da Natureza, de homens nos quais murcham lentamente todos os impulsos vitais, como se fossem flores cortadas num vaso.”

O amor é uma experiência pela qual todo o nosso ser é renovado e refrescado como o são as plantas pela chuva após a seca. Nada disso sucede nas relações sexuais a que o amor é alheio. Quando o prazer momentâneo finda, sobrevêm a fadiga, o desgosto e o sentimento de vida vazia. É que o amor faz parte da vida da terra e o desejo sexual sem amor não faz.”
Bertrand Russel

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Io sono l'amore


Um destes dias fui ao cinema ver um filme complicado. Saí de lá sem saber se tinha gostado ou não, se tinha percebido ou não, se era mesmo aquilo em que eu estava a pensar...

Sem dúvida, um filme muito bom (confirmei as expectativas, louvado em Cannes). Todo o filme apela à sensibilidade, à sensibilidade de reconhecer o que está a acontecer na nossa vida, o que é real e o que é mentira, ilusão, ficção, o que é comandado pela nossa vontade ou se somos nós comandados como marionetas.

“A acção do filme centra-se em Emma Recchi, a matriarca de uma família da alta-burguesia milanesa há várias gerações ligada à indústria têxtil. Confrontada com a emancipação dos filhos, Emma sente o vazio e a solidão de quem perdeu a única função que dava sentido à sai vida (a de mãe dedicada). Isto porque, sendo para o marido uma espécie de troféu, nunca representou com convicção o seu papel de esposa. Mas agora que os seus filhos estão criados, e inspirando-se talvez na coragem e na honestidade que a filha demonstra ao viver aberta e livremente a sua orientação sexual diferente, Emma procura instintivamente uma libertação da gaiola em que se viu aprisionada durante anos. A possibilidade dessa libertação espreita quando conhece Antonio (…). E a paixão que nasce entre ambos revelar-se-á realmente revolucionária e libertadora para Emma. (…)
Emma é o arquétipo da mulher que não disposta a sacrificar a sua vida à tirania das aparências, escolhendo viver a difícil mas redentora verdade do amor em vez da cómoda mas destruidora falsidade das convenções. Nesse sentido, Eu sou o Amor é uma autêntica ode romântica ao poder libertador do amor e do espírito livre de uma mulher que não deixa que lhe cortem as asas do desejo.” Nuno Carvalho



quarta-feira, 26 de maio de 2010

A vida tem caminhos muito desiguais


Durante algum tempo andei meio desorientada, meio perdida...
Porém sinto que esse tempo já passou...
Pelo menos, sinto uma leveza nos movimentos, sinto-me a sorrir mais, sinto-me mais bem disposta e calma... Uma serenidade paciente...

Hoje ouvi esta música, penso que representa bem esse tempo de agitação e intranquilidade...



"O tempo vai passar, você vai ver...
Diz que vai sumir e sempre volta atrás...
Enquanto a sua imagem vai e vem, onde posso ir?...
Talvez eu siga sem você daqui pra frente,
a vida tem caminhos muito desiguais...
Vou sorrir pra tristeza agora
Vou viver os meus dias sem você."

terça-feira, 25 de maio de 2010

Matthieu Ricard, o homem mais feliz do mundo


Esta éa cópia dum artigo publicado no jornal "i" de hoje.

"O monge budista Matthieu Riccard, de 64 anos, diz que qualquer pessoa pode meditar. Vinte minutos de meditação por dia são suficientes para melhorar a sua vida. Quem o diz não é o novo guru da auto-ajuda que acaba de chegar às estantes da bomba de gasolina, mas o braço-direito de Dalai Lama, o monge Matthieu Ricard.
O francês de 64 anos foi até considerado o homem mais feliz do mundo, apesar de ficar embaraçado com o apelido. "Como podem dizer que sou o mais feliz do mundo se não analisaram todas as pessoas?", questiona a rir Matthieu Ricard.

O i devolve a explicação. O monge participou numa investigação da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, sobre os efeitos a curto e médio prazo da meditação nas funções cerebrais e deixou os cientistas de boca a aberta. Pode dizer-se que literalmente rebentou a escala da felicidade. "Quando fui convidado a participar no estudo, pensava que o efeito da meditação não se iria notar. Mas foi impressionante, os cientistas ficaram muito entusiasmados."

O cérebro do monge foi monitorizado, o que significou colar 256 sensores na cabeça durante três horas. A escala de felicidade, criada para a investigação (testada em centenas de pessoas) ia de um mínimo de felicidade, +0.3, ao máximo: -0.3. Matthieu Ricard atingiu -0.45.

Desde 2000 que Matthieu Ricard tem convencido outros monges experientes - com mais de 10 mil horas de meditação - a juntarem-se às investigações de neurociência e tem feito várias conferências para divulgar estas descobertas.

Acabado de chegar de mais um estudo nos Estados Unidos, Matthieu Ricard está pela quinta vez em Portugal. Amanhã dará uma conferência na Aula Magna, em Lisboa, sobre "neurociência e felicidade". "Quero mostrar uma nova maneira de ver o cérebro. Não há dúvidas de que devemos ir à escola para estudar ou de que quando temos um hobby, seja tocar piano ou fazer jogging, temos de treinar, o mesmo se passa com o cérebro. Temos de o trabalhar para sermos mais felizes. A felicidade é complexa e tem de vir de dentro de nós e não ficar dependente do exterior, senão vivemos numa montanha-russa."

Para exemplificar melhor, o monge apressa-se a apresentar mais um estudo - talvez, seja um tique de ex-cientista. Aqui vai. Dividiram 30 pessoas, sem experiência em meditação, em dois grupos. Ao primeiro grupo pediram que, durante oito semanas, meditassem 20 minutos por dia. O outro ficou com a tarefa mais fácil: continuar a vida normal sem meditar. No final, o grupo que meditou tinha níveis de felicidade mais elevados e menos ansiedade. Até a pressão arterial estava mais baixa. "A meditação deve ser levada a sério. Se fazemos tudo para ter um corpo saudável, também devemos investir na mente. Arranja-se sempre tempo para a meditação", diz.

Outro conselho do monge é: "ser altruísta compensa". Aquela coisa da sociedade ocidental - cada um por si - afinal não resulta assim tão bem. "Um grupo de investigadores norte-americanos deu 15 dólares a dois grupos de jovens para gastarem durante uns dias. O primeiro só podia comprar coisas para si. O segundo teve de gastar o dinheiro com os outros, dar comida a pessoas que precisavam ou a levar alguém a passear. O primeiro grupo ficou aborrecido, enquanto o segundo registou níveis de felicidade muito mais elevados", diz o monge.

Matthieu Ricard nasceu no meio de intelectuais. Tomava café com prémios Nobel, jantou com Cartier-Bresson e almoçou com Stravinsky. Filho do filósofo Jean-François Revel e doutorado em Genética Molecular pelo Instituto Pasteur, Matthieu estava traçado para uma carreira académica de sucesso. Mas tudo mudou em 1967. "Vi um bonito documentário com os grandes mestres do Tibete e pensei: 'Quero ser assim.'" Em 1972 trocou de vez a França pelos Himalaias. Conheceu Dalai Lama através do seu professor Kangyur Rinpoche e há mais de 20 anos que é o tradutor e braço-direito de sua santidade.

Matthieu Ricard é também fotógrafo e autor de diversos livros sobre meditação, incluindo o bestseller "The Monk and the Philosopher" - um diálogo com o seu pai. Pelo meio arranja sempre tempo para os 14 projectos de solidariedade social."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

“A Conquista da Felicidade”, parte 1.3 (O Espírito de Competição)


“Se se perguntar a um americano ou a um homem de negócios inglês o que estraga mais o seu prazer da existência, ele responderá: ‘a luta pela vida’. Di-lo-á com toda a sinceridade, pois pensa assim. Em certo sentido isso é verdade, mas noutro, e muito importante, essa afirmação é profundamente falsa.”

“É muito estranho que apenas poucos homens compreendam que não estão irremediavelmente amarrados à engrenagem torturante de um trabalho monótono e que a maioria continue presa ao seu rodar só por não se aperceber que com esse trabalho não alcança plano mais elevado.”

“Nunca lhes vem à ideia que ele é uma vítima da ambição e talvez, na realidade, isso não seja a verdade exacta, como também a viúva indiana que se sacrificava na pira funerária do marido não era absolutamente o que parecia ao observador europeu.”

“Enquanto ambicionar o êxito e estiver convencido que é dever do homem procurá-lo com afã, enquanto considerar aquele que o não procura como uma pobre criatura, a sua vida continuará a ser demasiado concentrada e demasiado inquieta para poder ser feliz.”

“Além disso, mede-se a inteligência pelo dinheiro que se ganha. Um homem que ganha um dinheirão é um homem inteligente; um que não ganha tanto, não é. Ora ninguém gosta de ser tomado por imbecil. Por isso, quando o mercado está irregular, os homens sentem o mesmo que os estudantes em épocas de exame.”

“A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte de felicidade.”

“Como nas profissões liberais nenhum estranho pode distinguir se um médico sabe na realidade muito de medicina ou se um advogado conhece profundamente as leis, é mais fácil julgar os méritos de cada um pelos rendimentos que lhes são atribuídos através do seu nível de vida.”

“No séc. XVIII, uma das características do gentleman era tirar um prazer sentencioso da literatura, da pintura e da música. Nos nossos dias podemos discordar desse gosto, mas temos de reconhecer que ele era pelo menos sincero. Presentemente, o homem rico procura ser um tipo completamente diferente. Nunca lê. Se deseja criar uma galeria de pintura, para aumentar a sua fama, encarrega peritos de escolherem os quadros; o prazer que sente não é o prazer de contemplar as telas, mas sim o de impedir que outro ricaço qualquer as possua.”

“A importância do espírito de competição na vida moderna está em relação com o declínio do nível de cultura, tal como sucedeu em Roma depois do século de Augusto. Homens e mulheres parece terem-se tornado incapazes de apreciar os prazeres mais intelectuais. A arte da conversação, por exemplo, levada à perfeição nos salões franceses do século XVIII, era ainda há quarenta anos uma tradição viva. Era uma das artes mais delicadas, que requeria grandes faculdades de espírito, mas a sua finalidade era absolutamente evanescente.”

“O conhecimento da boa literatura, que era universal entre as pessoas educadas de há cinquenta anos, está agora confiado a poucos professores. Todos os prazeres mais tranquilos foram abandonados.”

“O mal não está simplesmente no indivíduo, nem o indivíduo sozinhos pode impedi-lo no seu próprio caso isolado. O mal reside na filosofia de vida geralmente admitida, que concebe a existência como uma luta, uma competição, na qual é devido respeito ao vencedor. Esta concepção leva as pessoas a cultivarem indevidamente a vontade, a expensas do sentimento e da inteligência. Possivelmente, dizendo isto, nós pomos o carro à frente dos bois.”

Aqueles a quem a sua concepção de vida lhes causa tão pouca felicidade que não desejam gerar filhos, estão biologicamente condenados.”

“O espírito de competição, considerado como a principal razão da vida, é demasiado inflexível, demasiado tenaz, demasiado composto de músculos tensos e de vontade decidida para servir de base possível à existência durante mais de uma ou duas gerações. Depois desse espaço de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, vários fenómenos de evasão, uma procura de prazeres tão tensa e tão penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se impossível) e finalmente o desaparecimento da raça devido à esterilidade. Não somente o trabalho é envenenado pela filosofia que exalta o espírito de competição mas os ócios são-no na mesma medida. O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação de uma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.”
Bertand Russel

domingo, 23 de maio de 2010

It's only rock n'roll


O meu signo dizia assim ontem: "Terá bem claro dentro de si que o passado já não faz mais nenhum sentido. Começa a abertura para o novo ciclo que se aproxima, mais calmo e seguro."

Pois bem, após ter ligado o motor para seguir caminho e a bateria ter ido abaixo algumas vezes, sinto agora a brisa que o vidro aberto da janela me proporciona...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"A Conquista da Felicidade", parte 1.2 (A Infelicidade Byroniana)


"O sábio será tão feliz quanto as circunstâncias lho permitam, e se achar dolorosa a contemplação de um determinado ponto do universo, poderá contemplar qualquer outro. É isto o que eu procuro provar no presente capítulo. Desejo convencer o leitor de que, seja qual for o argumento, a razão não é um obstáculo à felicidade."

"(...) precisamos distinguir entre um estado de alma e a sua expressão intelectual. Não se discute com um estado de alma; este pode ser modificado por qualquer acontecimento feliz, ou por alguma mudança no nosso estado físico, mas nunca por um argumento."

"O animal humano, como os outros animais, está adaptado para uma certa luta pela vida e quando, graças à sua riqueza, o homo sapiens pode satisfazer todos os desejos sem esforço, a simples ausência do esforço na sua vida afasta dele um elemento essencial de felicidade. O homem que adquire facilmente as coisas pelas quais sente apenas um desejo moderado, conclui que a realização do desejo não dá felicidade."

"Não pode haver valor no todo a não ser que haja valor nas partes. A vida não pode ser concebida como um melodrama em que o herói e a heroína atravessem desgraças incríveis de que são compensados por um final feliz."

"Bendito seja Deus, a mais humilde das
Suas criaturas
Pode ostentar uma alma com duas faces:
Uma para enfrentar o mundo,
A outra para mostrar à mulher amada!"

"De maneira nenhuma perdi a fé no amor, mas o género de amor em que acredito não é aquele que os vitorianos admiravam; é intrépido e vigilante, permite ao mesmo tempo o conhecimento do bem e não implica o esquecimento do mal, nem pretende ser sagrado ou santificado. A atribuição destas qualidades ao amor, tal como era então admirado, resultava do tabu sexual. O vitoriano estava profundamente convencido de que era imoral tudo quanto se relacionasse com o sexo e precisava de empregar adjectivos exagerados para o amor que podia aprovar. Havia mais desejo sexual do que há agora e isso sem dúvida lavava as pessoas a exagerarem a importância da sexualidade, tal como os ascetas sempre o fizeram.
Vivemos presentemente um período bastante confuso e muitas pessoas abandonaram já as ideias antigas sem terem ainda adquirido outras novas. Isso causa-lhes várias perturbações, e como o seu inconsciente continua fiel aos velhor conceitos, as perturbações, quando se produzem, geram desespero, remorsos e cinismo."

"Não é fácil explicar em poucas palavras as razões porque se aprecia o amor; no entanto vou tentar fazê-lo. Em primeiro lugar o amor deve ser apreciado - e esta razão, embora não seja a de maior importância, é essencial a todo o resto - como sendo em si mesmo uma fonte de prazer.
Oh amor! Muito te injuriam
Os que dizem que a tua doçura é fel,
Quando o teu rico fruto é tal
Que nada pode ser mais doce.
O amor anónimo destas linhas não procurava uma solução para o ateísmo, nem uma chave para os enigmas do universo; procurava apenas a sua satisfação íntima. E não somente o amor é uma fonte de prazer, mas também a sua ausência é origem de sofrimento. Em segundo lugar, o amor deve ser apreciado porque dá realce aos melhores prazeres da vida, tais como o ouvir música, o assistir ao nascer do sol nas montanhas, o ver a luz do luar espelhada nas águas. Um homem que nunca gozou a contemplação das coisas belas na companhia da mulher amada, nunca sentiu plenamente o poder mágico que dessas coisas se desprende. Além do mais, o amor pode quebrar a dura concha do Eu, pois é uma forma de cooperação biológica, na qual as emoções de cada um são necessárias à satisfação dos propósitos instintivos do outro."

"O verdadeiro amor é uma chama eterna
No espírito para sempre ardente,
Nunca adoece, nunca morre, nunca esfria,
Por si próprio nunca se desvia."

"A todos os jovens de talento que divagam sobre o tema de que não há nada a fazer neste mundo, eu diria: "Não tente escrever, pelo contrário, procure não escrever. Vá correr o mundo. Faça-se pirata, rei no Bornéu, trabalhador na Rússia Soviética; consagre-se a uma existência em que a satisfação das mais elementares necessidades físicas dê emprego a quase todas as energias."
Bertrand Russel

domingo, 16 de maio de 2010

Positive


"Discover power by focusing, in every situation, on what is possible, what you can do, and by alwayslooking for benefits and opportunities no matter what life brings."

Butterfly


"Explore the world with all your senses - immerse yourself fully in the beauty and mistery of life."

Hope


"By looking to the future and pursuing your dreams with optimism, you will discover the power of spirit to transform dreams into reality."

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ser sensitiva e agradecida



Apesar de gostar muito de Massive Attack e de já ter estado presente em dois concertos, incrivelmente não conhecia esta música.
Fiquei a conhecê-la esta semana, graças à Rádio Nova. É uma cover da música homónima de William de Vaughn (1974) e está presente no primeiro álbum "Blue Lines" de 1991.
A letra não é nada de especial, é até um pouco mediocre. No entanto, a música, a sonoridade, o embalo, não pode deixar indiferente alguém neste mundo. A mim não deixa, de certeza...

Sou muito sensível a este tipo de manifestações... Diria antes sensitiva. Mexe comigo. Não consigo ficar insensível, não consigo ignorar, não consigo manter a frieza. Fico com um daqueles sorrisos marotos, fico bem-disposta, suspiro por dentro (se estou sozinha)...
Aii, enfim...

Porém, o título da música é muito inspirador, ou melhor, outro tipo de inspiração!!! Faz-nos pensar como às vezes somos mal agradecidos com a vida que temos, com as pessoas que nos rodeiam (e mesmo com os bens materiais que são mais do que suficientes).

O maior desafio é associar o título ao vídeo: confesso que fiquei muito intrigada, mas penso que consegui chegar lá...


Massive Attack - Be Thankful For What You've Got

Sungjae | Vídeo do MySpace


domingo, 9 de maio de 2010

"A Conquista da Felicidade", parte 1.1 (O que torna as pessoas infelizes?)



“Se o leitor é infeliz, está naturalmente preparado para admitir que a sua infelicidade não é uma excepção. Se é feliz, pergunte a si mesmo quantos dos seus amigos o são.”

“Liberte-se do seu próprio eu e deixe-se penetrar sucessivamente pela personalidade das pessoas que o rodeiam. Descobrirá que cada uma dessas multidões diferentes tem as suas inquietações próprias. Na azáfama da hora do trabalho, verá ansiedade, concentração excessiva, dispepsia, falta de interesse por tudo que seja alheio à sua luta, incapacidade para se divertir, ignorância a respeito dos seus semelhantes. Em qualquer estrada num fim-de-semana, verá homens e mulheres que gozam vida confortável, alguns mesmo bastante ricos, empenhados na perseguição do prazer. (…) todos os ocupantes de todos os automóveis vão absorvidos pelo desejo de ultrapassar o carro que vai à frente, mas não o podem fazer por causa da multidão; se o seu pensamento se evade dessa preocupação, o que pode suceder àqueles que não vão ao volante, um aborrecimento irreprimível apodera-se logo deles e marca nas suas feições o habitual descontentamento.”

“Observe agora as pessoas num local de diversões nocturnas. (…) Julga-se geralmente que a bebida e a intimidade conduzem à alegria; assim, as pessoas embebedam-se rapidamente e procuram não reparar quanto os seus companheiros lhes desagradam. (…) Tudo o que o álcool faz por eles é libertar-lhes o sentimento de culpa, que a razão abafa nos momentos normais.”

“O meu propósito é sugerir um remédio para a vulgar infelicidade do dia-a-dia, de que sofre a maior parte dos habitantes dos países civilizados, e que, não tendo verdadeira causa exterior que a determine, se torna ainda mais difícil de suportar por parecer inevitável. Creio que esta infelicidade é devida em grande parte a erradas ideias sobre o Mendo, erradas éticas, errados hábitos de vida que provocam a destruição desse gosto natural e desse apetite pelas coisas realizáveis de que depende afinal toda a felicidade, tanto dos homens como dos animais.”

Quando a vaidade é levada a um tal ponto, não há interesse sincero noutra pessoa e por consequência não pode haver real satisfação no amor.”

“O amor do poder, tal como a vaidade, é elemento importante na natureza normal do homem e assim deve ser compreendido; torna-se deplorável somente quando é excessivo ou está associado a uma percepção insuficiente da realidade.”

“As causas psicológicas da infelicidade, é claro, são muitas e variadas, mas todas têm alguma coisa de comum. O homem infeliz típico é o que, tendo sido privado na juventude dalguma satisfação normal, acaba por apreciar essa satisfação mais do que qualquer outra, e imprime assim à sua vida uma direcção unilateral, obstinando-se na sua realização sem tomar interesse pelas actividades a ela ligadas. Há, porém, outro tipo, muito comum nos nossos dias, o do homem que se sente tão profundamente descontente, que não procura nenhuma satisfação, mas sim a distracção ou o esquecimento. Torna-se, então, um devoto do “prazer”. Isto quer dizer que procura tornar a vida suportável vivendo-a menos.”

“Os homens que são infelizes, como os homens que dormem mal, mostram-se sempre orgulhosos por esse facto.”

“Suponho que muito poucos homens recusariam deliberadamente a felicidade se vissem um meio de a conseguir.”
Bertrand Russel

sábado, 8 de maio de 2010

"A Conquista da Felicidade", parte 0



"Este livro não se destina aos eruditos nem às pessoas que encaram um problema prático simplesmente como motivo de conversação. Nas páginas que se seguem, não se encontra uma filosofia profunda nem uma vaga erudição. O meu único desejo foi reunir algumas observações inspiradas pelo que julgo ser o bom senso. Todo o mérido que reivindico para as fórmulas que ofereço ao leitor reside no facto de serem confirmadas pela minha própria experiência e observação e de terem aumentado a minha felicidade sempre que agi de acordo com elas. Por isso ouso esperar que alguns dos muitos homens e mulheres que sofrem sem se conformar com o seu sofrimento nelas encontrem o diagnóstico do seu mal e descubram os meios de lhe dar remédio. Foi na convicção de que muitas pessoas que são infelizes poderiam tornar-se felizes graças a um esforço bem dirigido, que escrevi neste livro."
Bertrand Russel, prefácio de "A Conquista da Felicidade"

Tem sido este o meu cavalo de batalha.

domingo, 2 de maio de 2010

Fazer o que ainda não foi feito



Há uns tempos ouvi da boca duma pessoa brilhante esta consideração "Quem ama não trai".
Facilmente pensarão que isto foi dito por alguém que foi traído e, com o orgulho ferido, acabou tudo com o companheiro(a).
Nada mais errado: foi exactamente o contrário o que se passou.

Este desabafo foi tido por uma pessoa que traiu. E aquele acto único foi a luz que iluminou o caminho que recusava ver.
Foi o interruptor que fez o clic para a mudança. Foi a visão do óbvio: aquele amor tinha acabado há muito, já não passavam de duas pessoas que viviam debaixo do mesmo tecto.
(E estava ao seu alcance não desrespeitar e enganar aquela pessoa e abençoar os anos que tinham sido felizes juntos.)

Adriana

sábado, 1 de maio de 2010

Ora aí está...



"Os homens que nos seguem com o olhar são os que merecem ser amados. Não estou a falar dos senhores dos andaimes, estou a falar dos homens que, às vezes, não tendo muito mais para nos oferecer, oferecem-nos tudo o que têm e num olhar pode estar o mundo inteiro. Deles.
Lembrei-me dessa intensidade do olhar pelo oposto disto. Pelos arrogantes que, julgando ter o mundo na mão, nem se dão ao trabalho de olhar, de seguir, de pairar. (...)
Os homens que nos seguem com o olhar às vezes não têm cartão de crédito nem conhecem o leasing, mas depositam em pouco mais do que um frame a vontade de amar."
Cidália Dias, 24 de Abril de 2010